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	<title>O Brasil de Aloysio Biondi</title>
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		<title>Pesquisadores podem acessar arquivo do jornalista na Unicamp</title>
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		<dc:creator>admin</dc:creator>



		<description>&lt;p&gt;O acervo de Aloysio Biondi est&#225; acess&#237;vel ao p&#250;blico na Universidade de Campinas. S&#227;o 60 mil recortes de jornais, 3 mil livros, 3 mil revistas, 5 mil artigos e 30 mil p&#225;ginas de datiloscritos e manuscritos.&lt;/p&gt;

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&lt;a href="https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?rubrique18" rel="directory"&gt;Blog&lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;O arquivo do jornalista Aloysio Biondi est&#225; acess&#237;vel ao p&#250;blico. Pesquisadores podem visitar o acervo na Universidade de Campinas (Unicamp), a 99 quil&#244;metros de S&#227;o Paulo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;S&#227;o documentos e publica&#231;&#245;es de trabalho e pessoais de 1934 a 2001, com predomin&#226;ncia das d&#233;cadas de 60, 70 e 80. O conjunto consiste em 60 mil recortes de jornais, 3 mil livros, 3 mil revistas, 5 mil artigos, 30 mil p&#225;ginas de datiloscritos e manuscritos e 60 discos em vinil, segundo contabiliza&#231;&#227;o do Centro de Documenta&#231;&#227;o Alexandre Eulalio (Cedae), onde est&#225; o material.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A documenta&#231;&#227;o de car&#225;ter profissional foi acumulada ao longo dos 44 anos de atividades de Aloysio Biondi em diversos &#243;rg&#227;os de imprensa e compreende correspond&#234;ncia, artigos publicados, livros, revistas, recortes de jornais, relat&#243;rios, censos e outras fontes de pesquisa e informa&#231;&#227;o do titular. H&#225;, ainda, itens anteriores a seu nascimento, em julho de 1936, e posteriores &#224; sua morte, em julho de 2000.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#8220;A higieniza&#231;&#227;o foi toda conclu&#237;da, assim como o acondicionamento dos documentos, que se encontram climatizados na nossa reserva t&#233;cnica&#8221;, destaca a diretora t&#233;cnica do Cedae, Fl&#225;via Carneiro Le&#227;o. O passo seguinte ser&#225; trabalhar na cataloga&#231;&#227;o de cada item.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O acervo foi &lt;a href=&quot;http://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?article1204&quot; class='spip_out' rel='external'&gt;doado ao centro&lt;/a&gt; em 2009 como parte do projeto de mem&#243;ria O Brasil de Aloysio Biondi, em que uma rede composta por fam&#237;lia, ex-alunos e amigos trabalhou na triagem e na conserva&#231;&#227;o dos documentos ao longo de nove anos. O material foi &lt;a href=&quot;http://aloysiobiondi.jor.br/spip.php?article1209&quot; class='spip_out' rel='external'&gt;encaminhado para restauro&lt;/a&gt; em 2011.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tamb&#233;m est&#227;o no centro de documenta&#231;&#227;o, vinculado ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, arquivos de Alexandre Eulalio, Bernardo &#201;lis, Fl&#225;vio de Carvalho, Hilda Hist, Menotti Del Picchia, Monteiro Lobato e Oswald de Andrade, entre outros artistas, intelectuais e personalidades de diferentes &#225;reas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Relan&#231;amento&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Gera&#231;&#227;o Editorial lan&#231;ou &lt;a href=&quot;http://geracaoeditorial.com.br/brasil-privatizado-o/&quot; class='spip_out' rel='external'&gt;nova edi&#231;&#227;o&lt;/a&gt; dos dois volumes do livro O Brasil Privatizado, de Aloysio Biondi, originalmente publicados pela Funda&#231;&#227;o Perseu Abramo. A compila&#231;&#227;o tem apresenta&#231;&#227;o de J&#226;nio de Freitas e pref&#225;cio de Amaury Ribeiro Jr.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Entre o sigilo e o biombo de distor&#231;&#245;es</title>
		<link>https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?article1536</link>
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		<dc:date>2011-08-29T15:44:59Z</dc:date>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Pedro Biondi</dc:creator>


		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Revista Isto &#201;</dc:subject>
		<dc:subject>Mercado Financeiro</dc:subject>

		<description>S&#243; pra come&#231;o de conversa: o presidente do Banco Central, Ernane Galv&#234;as, se recusa a fornecer a rela&#231;&#227;o de empresas que realizaram opera&#231;&#245;es com d&#243;lares, &#224;s v&#233;speras da maxidesvaloriza&#231;&#227;o, lucrando 30% da noite para o dia ou em um ou dois meses. Sua alega&#231;&#227;o: &quot;sigilo banc&#225;rio&quot;. Mais uma balela, ou mais um caso de amn&#233;sia. Fiquemos com a segunda hip&#243;tese e vamos refrescar-lhe a mem&#243;ria: at&#233; uns tr&#234;s anos atr&#225;s, o Banco Central divulgava todos os meses uma rela&#231;&#227;o, nome por nome, das empresas que haviam tomado (...)

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&lt;a href="https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?mot46" rel="tag"&gt;Mercado Financeiro&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;S&#243; pra come&#231;o de conversa: o presidente do Banco Central, Ernane Galv&#234;as, se recusa a fornecer a rela&#231;&#227;o de empresas que realizaram opera&#231;&#245;es com d&#243;lares, &#224;s v&#233;speras da maxidesvaloriza&#231;&#227;o, lucrando 30% da noite para o dia ou em um ou dois meses. Sua alega&#231;&#227;o: &quot;sigilo banc&#225;rio&quot;. Mais uma balela, ou mais um caso de amn&#233;sia. Fiquemos com a segunda hip&#243;tese e vamos refrescar-lhe a mem&#243;ria: at&#233; uns tr&#234;s anos atr&#225;s, o Banco Central divulgava todos os meses uma rela&#231;&#227;o, nome por nome, das empresas que haviam tomado novos empr&#233;stimos no exterior ou mesmo de empresas que realizavam investimentos no pa&#237;s (porque tanto os empr&#233;stimos como os investimentos devem ser registrados no Banco Central, para que as empresas possam, depois, conseguir autoriza&#231;&#227;o do banco para a remessa de juros ou de lucros para o exterior). De repente essa rela&#231;&#227;o deixou de ser publicada &#8212; talvez porque um jornalista como existem poucos, Geraldo Banas, se dava o trabalho de somar, todos os meses, os empr&#233;stimos e investimentos registrados no Banco Central e constantes da lista oficial. E acontece, l&#243;gico, que os resultados apurados por Banas nunca batiam com os resultados declarados pelo Banco Central. O volume de investimentos, isto &#233;, entrada de d&#243;lares, era menor &#8211; vale dizer, a d&#237;vida externa do pa&#237;s era maior do que o declarado. Neste pa&#237;s em que a opini&#227;o p&#250;blica &#233; sempre enganada, decidiu-se suprimir a divulga&#231;&#227;o dos dados (esse e outros relativos &#224; d&#237;vida externa).&lt;/p&gt; &lt;h3 class=&quot;spip&quot;&gt;*&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;Volte-se agora ao que realmente importa: se o Banco Central divulgava esses dados at&#233; h&#225; tr&#234;s anos, ent&#227;o eles n&#227;o s&#227;o sigilosos cois&#237;ssima nenhuma. A Associa&#231;&#227;o dos Jornalistas Econ&#244;micos de Bras&#237;lia, que est&#225; pedindo informa&#231;&#245;es, na Justi&#231;a, sobre as opera&#231;&#245;es que precederam a maxidesvaloriza&#231;&#227;o, tem a&#237; um argumento a seu favor. Deve pedir a rela&#231;&#227;o de empresas que realizaram dep&#243;sitos pela 432 (ver Giro das &#250;ltimas duas edi&#231;&#245;es de &lt;i&gt;Isto&#201;&lt;/i&gt;). E n&#227;o se esquecer, pois &#233; fundamental, da rela&#231;&#227;o das empresas que cancelaram empr&#233;stimos externos, trocando-os por empr&#233;stimos em cruzeiros, nos dois ou tr&#234;s meses que antecederam a maxidesvaloriza&#231;&#227;o &#8211; porque j&#225; a esperavam.&lt;/p&gt; &lt;h3 class=&quot;spip&quot;&gt;*&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;&lt;i&gt;By the way&lt;/i&gt;, nestes tempos de cada vez mais &lt;i&gt;by the way&lt;/i&gt;, Galv&#234;as afirmou freq&#252;entemente que os dep&#243;sitos pela 432 estavam mais ou menos em 5 bilh&#245;es de d&#243;lares. O ministro Delfim Netto, no transcorrer de uma entrevista, falou em 4,7 bilh&#245;es de d&#243;lares, desmentindo informa&#231;&#245;es que falavam na cifra de 8 bilh&#245;es de d&#243;lares, resultante de uma &quot;corrida&quot; para depositar dinheiro no Banco Central, em novembro. Acontece que &lt;i&gt;O Estado de S. Paulo&lt;/i&gt;, &#224;s v&#233;speras do Natal, divulgou informa&#231;&#245;es oficiais revelando que, na data da maxidesvaloriza&#231;&#227;o, os dep&#243;sitos pela Resolu&#231;&#227;o 432 montavam a 270 bilh&#245;es de cruzeiros. Com o d&#243;lar a Cr$ 32,00 at&#233; aquela data, s&#227;o 8,5 bilh&#245;es de d&#243;lares ou 3,5 bilh&#245;es a mais que os dados anunciados por Galv&#234;as e Delfim Netto. Somente esses 3,5 bilh&#245;es de d&#243;lares &quot;extras&quot;, provavelmente depositados &#224;s pressas por quem sabia da maxidesvaloriza&#231;&#227;o, equivaliam na &#233;poca a 125 bilh&#245;es de cruzeiros &#8212; o que &#233; mais uma pista para comprovar a hip&#243;tese levantada aqui, na &#250;ltima semana: o governo precisou emitir 50 bilh&#245;es de cruzeiros extras porque os bancos, multinacionais e grandes empresas que esperavam a maxidesvaloriza&#231;&#227;o rasparam o mercado de cr&#233;dito, para depositar o dinheiro no Banco Central. Agora, algumas continhas: com dep&#243;sitos de 5 bilh&#245;es de d&#243;lares, ou 160 bilh&#245;es de cruzeiros, a maxidesvaloriza&#231;&#227;o de 30% teria custado ao pa&#237;s, ao Banco Central, 48 bilh&#245;es de cruzeiros, ganhos pelos &quot;bem-informados&quot;. Com dep&#243;sitos de 8,5 bilh&#245;es de d&#243;lares, ou 270 bilh&#245;es de cruzeiros, a farra foi ainda mais grossa: lucros de 81 bilh&#245;es de cruzeiros, para poucos, &#224;s custas do pa&#237;s.&lt;/p&gt; &lt;h3 class=&quot;spip&quot;&gt;*&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;Tem muito economista e l&#237;der empresarial (que, pra variar, n&#227;o leram todas as medidas do &quot;pacote&quot;, talvez apenas seu resumo) dizendo que, de qualquer forma, ele est&#225; correto, e seus efeitos seriam um &quot;pre&#231;o&quot; que o pa&#237;s estaria pagando para corrigir distor&#231;&#245;es de base da economia brasileira. Segundo esses palpites de quem deita entrevista sem saber do que est&#225; falando, os ministros da &#225;rea econ&#244;mica teriam tido &quot;a coragem&quot; de enfrentar problemas estruturais do pa&#237;s, e as medidas seriam um bom come&#231;o para colocar a casa em ordem. Odiosa leviandade, que ajudou a enganar a opini&#227;o p&#250;blica quanto &#224;s escandalosas conseq&#252;&#234;ncias da maxidesvaloriza&#231;&#227;o. Tem muito economista e l&#237;der empresarial dizendo por a&#237;, por exemplo, que o &quot;pacote&quot; acabou com os subs&#237;dios ao cr&#233;dito (as taxas de pai para filho) e com os incentivos, isto &#233;, o perd&#227;o de impostos, nas importa&#231;&#245;es, nas exporta&#231;&#245;es e em investimentos nas chamadas &#225;reas incentivadas: turismo, pesca, Nordeste, Amaz&#244;nia, reflorestamento etc. Os ministros da &#225;rea econ&#244;mica devem gargalhar de satisfa&#231;&#227;o ante a irresponsabilidade desses palpiteiros, que facilitam a tarefa de mentir &#224; opini&#227;o p&#250;blica. S&#243; para ter uma id&#233;ia &#8212; pois o espa&#231;o &#233; curto &#8212; de como o &quot;pacote&quot; &#233; uma farsa, n&#227;o mexeu em nada, veja-se o exemplo do imposto de importa&#231;&#227;o e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) devidos nas importa&#231;&#245;es de m&#225;quinas e equipamentos. Foi dito que o perd&#227;o desses impostos tinha acabado, o que era duplamente elogi&#225;vel: primeiro, porque as importa&#231;&#245;es ficavam mais caras, aumentando o mercado para os produtos nacionais; segundo, porque com isso a na&#231;&#227;o arrecadar&#225; mais, reduzindo-se o d&#233;ficit do Tesouro. Ora, o decreto assinado pelo presidente da Rep&#250;blica, publicado junto com o &quot;pacote&quot;, mas que os palpiteiros logicamente n&#227;o leram, &quot;suprime&quot; o perd&#227;o do imposto. No artigo primeiro. Depois, nos outros artigos, abre tantas isen&#231;&#245;es, mas tantas isen&#231;&#245;es, que n&#227;o altera absolutamente nada, em rela&#231;&#227;o &#224; situa&#231;&#227;o atual de &quot;perd&#227;o&quot; dos impostos. Uma farsa total, uma encena&#231;&#227;o para desviar a aten&#231;&#227;o da na&#231;&#227;o do que era essencial: o significado e os efeitos da maxidesvaloriza&#231;&#227;o do cruzeiro. &#201; o que se ver&#225; a seguir.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#192; primeira vista, seria o &quot;milagre&quot; sonhado pelos atuais condutores da pol&#237;tica econ&#244;mica. Ali&#225;s o segundo que constaria do curr&#237;culo do atual ministro do Planejamento, Ant&#244;nio Delfim Netto.
&lt;br /&gt;O a&#231;&#250;car batendo no teto em Londres e a soja e o milho enlouquecendo a bolsa de Chicago alegrariam os respons&#225;veis pela sa&#250;de do balan&#231;o de pagamentos do pa&#237;s. V&#225;rios milh&#245;es de d&#243;lares a mais seriam acrescentados &#224;s exporta&#231;&#245;es brasileiras, superando at&#233; mesmo as previs&#245;es mais otimistas do Conselho de Com&#233;rcio Exterior.
&lt;br /&gt;Alegria que duraria pouco. Como em 1973, quando a especula&#231;&#227;o com mat&#233;rias-primas, se de um lado injetou mais d&#243;lares nas contas externas do pa&#237;s, de outro acelerou a infla&#231;&#227;o muito antes de os produtores de petr&#243;leo resolverem virar a mesa. Para quem n&#227;o se lembra, os pre&#231;os no mercado interno seguiram as cota&#231;&#245;es de Londres e Chicago. A soja, o milho e o a&#231;&#250;car aumentaram o seu peso no bolso do consumidor, e o encarecimento das ra&#231;&#245;es mundiais jogou para o alto o custo de cria&#231;&#227;o do rebanho bovino, de porcos e de galinhas. As tabelas da Sunab foram atropeladas nas feiras livres e supermercados e, no final das contas, o pa&#237;s perdeu muito mais do que ganhou.
&lt;br /&gt;Perderam os trabalhadores, porque os &#237;ndices da Funda&#231;&#227;o Get&#250;lio Vargas e outros mais diretamente relacionados com os reajustes dos seus sal&#225;rios n&#227;o mediram os pre&#231;os praticados efetivamente no mercado e ficaram meses a fio guiando-se pelas tabelas da Sunab. Perderam os agricultores, que plantaram apostando na manuten&#231;&#227;o da tend&#234;ncia de alta das cota&#231;&#245;es l&#225; fora. Perderam inclusive especuladores, que formaram estoques de in&#250;meras mat&#233;rias-primas esperando vend&#234;-las com gordos lucros mais adiante. E as autoridades perderam a oportunidade de perceber com anteced&#234;ncia que a verdadeira face daquela euforia era uma crise econ&#244;mica, diferente da de 1929, mas nem por isso menos virulenta que aquela.
&lt;br /&gt;A diferen&#231;a de hoje em rela&#231;&#227;o a 1973 &#233; que a Organiza&#231;&#227;o dos Pa&#237;ses Exportadores de Petr&#243;leo (Opep) est&#225; mais forte. E, como o encarecimento das mat&#233;rias-primas tiraria dos exportadores de petr&#243;leo boa parte do que ganharam com os &#250;ltimos aumentos do combust&#237;vel, eles poderiam muito bem passar a reajust&#225;-lo em prazos mais curtos e, ainda por cima, exigir o pagamento em outra moeda que n&#227;o o enfraquecido d&#243;lar.
&lt;br /&gt;Uma esp&#233;cie de xeque-mate nas economias de v&#225;rios pa&#237;ses subdesenvolvidos importadores de petr&#243;leo. O Brasil entre eles.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Pois Lula est&#225; enganado. O l&#237;der n&#227;o &#233; ele</title>
		<link>https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?article1535</link>
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		<dc:creator>Pedro Biondi</dc:creator>


		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Revista Isto &#201;</dc:subject>
		<dc:subject>Emprego e Renda</dc:subject>

		<description>H&#225; coisa de dez dias, o ministro Murillo Macedo, do Trabalho, anunciava que o ministro M&#225;rio Henrique Simonsen (ou as correntes que ele representa, dentro do governo) finalmente havia concordado em conceder reajustes quadrimestrais aos trabalhadores, permitindo que os sal&#225;rios n&#227;o se distanciassem tanto dos aumentos de pre&#231;os feitos por todos os setores da economia brasileira. Advertia, por&#233;m, que essa nova pol&#237;tica somente seria implantada quando os movimentos grevistas cessassem, pois o governo (...)

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&lt;a href="https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?mot28" rel="tag"&gt;Revista Isto &#201;&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?mot40" rel="tag"&gt;Emprego e Renda&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;H&#225; coisa de dez dias, o ministro Murillo Macedo, do Trabalho, anunciava que o ministro M&#225;rio Henrique Simonsen (ou as correntes que ele representa, dentro do governo) finalmente havia concordado em conceder reajustes quadrimestrais aos trabalhadores, permitindo que os sal&#225;rios n&#227;o se distanciassem tanto dos aumentos de pre&#231;os feitos por todos os setores da economia brasileira. Advertia, por&#233;m, que essa nova pol&#237;tica somente seria implantada quando os movimentos grevistas cessassem, pois o governo Figueiredo n&#227;o desejava deixar a impress&#227;o de que decidia sobre press&#227;o, o que pareceria uma demonstra&#231;&#227;o de fraqueza, nessa vis&#227;o de Bras&#237;lia. Seria preciso, ent&#227;o, esperar &quot;momento mais oportuno&quot;, conforme costuma repetir o ministro Simonsen (ou as correntes de pensamento que ele representa). Isso posto, o governo Figueiredo flexionou os m&#250;sculos e resolveu demonstrar sua for&#231;a &#8212; com os p&#225;rias da na&#231;&#227;o. Concedeu um rid&#237;culo aumento aos trabalhadores que ganham sal&#225;rio m&#237;nimo e adiou os reajustes peri&#243;dicos de sal&#225;rios, embora reconhecendo que eles trariam vantagens na &#225;rea social e tamb&#233;m na &#225;rea econ&#244;mica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;A semeadura.&lt;/strong&gt; A decis&#227;o demonstra que o governo Figueiredo acredita piamente no &quot;senso de oportunidade&quot; do ministro Simonsen (e das correntes de pensamento que ele representa). N&#227;o deixa de intrigar esse cr&#233;dito de confian&#231;a. Quem acompanhou o quadro pol&#237;tico e econ&#244;mico nos &#250;ltimos cinco anos n&#227;o pode fugir &#224; constata&#231;&#227;o de que foi na &#225;rea do ministro Simonsen que se acumularam todas as distor&#231;&#245;es que hoje criam dias tormentosos para a economia e a sociedade brasileiras.
&lt;br /&gt;Em 1974, quando as importa&#231;&#245;es come&#231;aram a disparar, a pr&#243;pria imprensa apontava que havia algo errado no ar, mas Simonsen atribu&#237;a a sa&#237;da de d&#243;lares &#224; &quot;crise do petr&#243;leo&quot;. No final do ano, as importa&#231;&#245;es haviam dobrado, para 12 bilh&#245;es de d&#243;lares, comprovando-se que as multinacionais haviam &quot;desovado&quot; estoques no Brasil &#8211; e em outros pa&#237;ses em desenvolvimento &#8212;, ante a recess&#227;o em seus mercados. Nem mesmo os an&#250;ncios publicados nos jornais por ind&#250;strias automobil&#237;sticas &#8212; como a VW do Brasil &#8211;, vendendo chapas de a&#231;o importadas (&quot;desovadas&quot; pela matriz), fizeram o ministro Simonsen acreditar ter chegado o &quot;momento oportuno&quot; para agir. Dois anos depois, com rombos imensos na balan&#231;a comercial e aumento proporcional na d&#237;vida externa, Simonsen acordou. Mas n&#227;o achou &quot;oportuno&quot; punir as multinacionais que haviam criado &quot;corredores de importa&#231;&#227;o&quot; no Brasil: preferiu punir a sociedade brasileira como um todo, criando o dep&#243;sito pr&#233;vio sobre as importa&#231;&#245;es, reconhecidamente alimentador da infla&#231;&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Com os banqueiros.&lt;/strong&gt; N&#227;o foi diferente com o mercado financeiro. Logo ao assumir, o ministro Simonsen criticava as taxas de juros do Brasil, &quot;as mais altas do mundo&quot;, e a especula&#231;&#227;o financeira no &lt;i&gt;open&lt;/i&gt;. Cinco anos depois, as taxas estavam ainda mais altas, a especula&#231;&#227;o financeira levara a Uni&#227;o a acumular uma d&#237;vida interna colossal, e o ministro Simonsen continuava a recomendar &quot;corte nos gastos do governo&quot;, como se fossem eles a origem da infla&#231;&#227;o. Nem mesmo no &quot;pacote de abril&quot;, do governo Figueiredo, Simonsen achou ter chegado o &quot;momento oportuno&quot; para cobrar, dos banqueiros, a retribui&#231;&#227;o pelos anos de feliz orgia financeira. Isso, apesar de ele, com toda certeza, j&#225; dispor dos dados que o presidente do Banco Central, Carlos Brand&#227;o, liberou no &#250;ltimo fim de semana: os bancos comerciais aumentaram seus empr&#233;stimos em 61%, de mar&#231;o de 1978 a mar&#231;o de 1979, isto &#233;, est&#227;o totalmente fora das diretrizes tra&#231;adas para o combate &#224; infla&#231;&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Com os poderosos.&lt;/strong&gt; Simonsen (ou as correntes que ele representa) nunca encontrou o momento oportuno nara punir os exportadores que inventam &quot;exporta&#231;&#245;es fantasmas&quot; para sonegar impostos e usar cr&#233;dito barato para a especula&#231;&#227;o. Ou as empresas de pesca, que pegaram dinheiro do IR e o embolsaram. Ou as reflorestadoras, idem. Como n&#227;o acha &quot;oportuno&quot; fazer uma reforma tribut&#225;ria no pa&#237;s, para taxar os ganhos de capital.
Engana-se, por&#233;m, quem acredite que Simonsen sempre diga n&#227;o. H&#225; coisas que ele acha &#8220;oportunas&#8221;. Adiar as d&#237;vidas, todos os anos, de frigor&#237;ficos, grandes usineiros, ind&#250;stria de papel, por exemplo. Ou, mais ainda: Simonsen julgou &quot;muito oportuno&quot; permitir que o CIP aumentasse a rentabilidade, os lucros das empresas, no &#250;ltimo ano, embora isso significasse mais infla&#231;&#227;o &#8212; e o fez, enquanto dizia ao assalariado que &quot;n&#227;o era oportuno&quot; ele desejar reajustes salariais que, pelo menos, cobrissem o desgaste causado pela infla&#231;&#227;o.
&lt;br /&gt;&quot;Oportunamente&quot;, est&#227;o a&#237; os balan&#231;os mostrando lucros de 60% sobre o capital &#8212; &#224;s vezes em um semestre.
&lt;br /&gt;Mesmo assim, Simonsen, com seu raro &quot;senso de oportunidade&quot;, julga que as empresas n&#227;o podem pagar sal&#225;rios maiores (e Delfim Netto, para mostrar que n&#227;o mudou, que continua partid&#225;rio da concentra&#231;&#227;o da renda, distor&#231;&#227;o que ele construiu meticulosamente, est&#225; dizendo a mesma coisa). Que os trabalhadores devem esperar o &quot;momento oportuno&quot;, claro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quem decide?&lt;/strong&gt; Fiado ou dependente de Simonsen, e das correntes que ele representa, o governo Figueiredo reajustou o sal&#225;rio m&#237;nimo em 45% e adiou os reajustes peri&#243;dicos. O que conseguiu com essa decis&#227;o? Mostrar &#224; classe trabalhadora que, infelizmente, tamb&#233;m neste governo tenta-se fechar os olhos &#224;s tens&#245;es sociais e os aumentos salariais s&#243; s&#227;o obtidos mediante movimentos reivindicat&#243;rios? Achar um advers&#225;rio para usar os m&#250;sculos atrofiados no conv&#237;vio com os grandes grupos financeiros e empresariais?
&lt;br /&gt;Com Simonsen, o d&#233;ficit da balan&#231;a comercial, a d&#237;vida externa, a d&#237;vida interna, as taxas de juros e a infla&#231;&#227;o chegaram ao seu ponto m&#225;ximo. Com a mesma dedica&#231;&#227;o, ele se empenha hoje em fazer com que a tens&#227;o social tamb&#233;m atinja seu ponto m&#225;ximo.
&lt;br /&gt;Lula est&#225; errado. O l&#237;der dos grevistas n&#227;o &#233; ele. &#201; o ministro do Planejamento, ou as correntes de opini&#227;o que ele representa dentro do governo. E que est&#227;o dominando o governo.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Conflitos no minist&#233;rio? &#201; improv&#225;vel</title>
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		<dc:creator>Pedro Biondi</dc:creator>


		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#237;tica</dc:subject>
		<dc:subject>Revista Isto &#201;</dc:subject>

		<description>Habituado nos &#250;ltimos anos a entreveros entre ministros, o respeit&#225;vel p&#250;blico brasileiro entregou-se a especula&#231;&#245;es antes mesmo da posse do governo Figueiredo, apostando em conflitos inevit&#225;veis entre Simonsen, Delfim Netto e, posteriormente, Rischbieter, os novos ministros do Planejamento. Agricultura e Fazenda. H&#225; raz&#245;es de toda ordem para que eles ocorram, aponta-se. De um lado. existem os inevit&#225;veis choques de interesse, como no caso da Fazenda e da Agricultura. De outro, o pr&#243;prio (...)

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		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Habituado nos &#250;ltimos anos a entreveros entre ministros, o respeit&#225;vel p&#250;blico brasileiro entregou-se a especula&#231;&#245;es antes mesmo da posse do governo Figueiredo, apostando em conflitos inevit&#225;veis entre Simonsen, Delfim Netto e, posteriormente, Rischbieter, os novos ministros do Planejamento. Agricultura e Fazenda. H&#225; raz&#245;es de toda ordem para que eles ocorram, aponta-se. De um lado. existem os inevit&#225;veis choques de interesse, como no caso da Fazenda e da Agricultura. De outro, o pr&#243;prio temperamento e talento dos ministros, sem falar nas ambi&#231;&#245;es pol&#237;ticas dos grupos aos quais se ligam. Inicialmente, as perspectivas de embates envolviam apenas Simonsen e Delfim Netto, j&#225; que o notici&#225;rio em torno do novo minist&#233;rio apresentou Rischbieter como &quot;mero gerente&quot;, na Fazenda, para executar diretrizes estabelecidas por Simonsen. Na medida, por&#233;m, em que a figura do ex-presidente do Banco do Brasil ganhava destaque, as previs&#245;es foram sendo ampliadas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quest&#227;o de estilo.&lt;/strong&gt; Se depender apenas da quest&#227;o econ&#244;mica &#8212; sem levar em conta o &quot;jogo pol&#237;tico&quot; &#8212;, o governo Figueiredo poder&#225; decepcionar as multid&#245;es, em mat&#233;ria de diverg&#234;ncias ministeriais. Como presidente do Banco do Brasil &#8212; principal instrumento do governo na execu&#231;&#227;o de sua politica agr&#237;cola &#8212;, o novo ministro da Fazenda revelou uma vis&#227;o de mundo e um estilo administrativo que nada t&#234;m a ver com a obsess&#227;o monetarista e a conviv&#234;ncia com a especula&#231;&#227;o financeira apresentadas por seus antecessores. Rischbieter criticou o &lt;i&gt;open market&lt;/i&gt; e suas distor&#231;&#245;es. Puxou a orelha dos banqueiros, diversas vezes, ciriticando-os pelos juros altos, e tentou mesmo for&#231;&#225;-los a reduzir o custo do dinheiro, ao tomar essa provid&#234;ncia no Banco do Brasil. Mais ainda: encomendou estudos especiais a seus assessores, para definir pol&#237;ticas de apoio &#224; pequena e m&#233;dia empresa e para identificar os benefici&#225;rios do cr&#233;dito barato (com os subs&#237;dios pagos pela na&#231;&#227;o).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Colaboraram Jos&#233; Carlos Bardawil e Paulo Fona, de Bras&#237;lia&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>A decis&#227;o de enfrentar o novelo</title>
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		<dc:creator>Pedro Biondi</dc:creator>


		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Economia</dc:subject>
		<dc:subject>Revista Isto &#201;</dc:subject>

		<description>Antes mesmo da posse do novo governo surgem mudan&#231;as na &#225;rea da economia: &#233; bom anot&#225;-las, analis&#225;-las em profundidade, para avaliar os rumos que o pa&#237;s tomar&#225; nos pr&#243;ximos anos. Isso, n&#227;o apenas no campo econ&#244;mico, mas tamb&#233;m na &#225;rea pol&#237;tica, j&#225; que o avan&#231;o da &quot;distens&#227;o&quot; est&#225; profundamente condicionado &#224; supera&#231;&#227;o de dificuldades na &#225;rea econ&#244;mica. N&#227;o escapou a nenhum observador, at&#233; agora, que j&#225; houve inova&#231;&#245;es surpreendentes, em curto espa&#231;o de tempo: o futuro ministro da Fazenda fala de desigualdades (...)

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&lt;a href="https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?mot28" rel="tag"&gt;Revista Isto &#201;&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Antes mesmo da posse do novo governo surgem mudan&#231;as na &#225;rea da economia: &#233; bom anot&#225;-las, analis&#225;-las em profundidade, para avaliar os rumos que o pa&#237;s tomar&#225; nos pr&#243;ximos anos. Isso, n&#227;o apenas no campo econ&#244;mico, mas tamb&#233;m na &#225;rea pol&#237;tica, j&#225; que o avan&#231;o da &quot;distens&#227;o&quot; est&#225; profundamente condicionado &#224; supera&#231;&#227;o de dificuldades na &#225;rea econ&#244;mica. N&#227;o escapou a nenhum observador, at&#233; agora, que j&#225; houve inova&#231;&#245;es surpreendentes, em curto espa&#231;o de tempo: o futuro ministro da Fazenda fala de desigualdades sociais, e n&#227;o apenas dos interesses do sistema financeiro, e, mais imprevis&#237;vel ainda, o novo ministro do Planejamento, M&#225;rio Henrique Simonsen, inclina-se na mesma dire&#231;&#227;o (ver &lt;i&gt;Isto&#201;&lt;/i&gt; n&#186; 110). Falat&#243;rio, por&#233;m, n&#227;o tem import&#226;ncia maior, pois pode ser desmentido, na pr&#225;tica, atrav&#233;s de medidas opostas &#224;s teses defendidas. Assim, o que precisa ser entendido e avaliado &#233; que as decis&#245;es tomadas pelo Conselho Monet&#225;rio Nacional no &#250;ltimo dia 24 s&#227;o um passo fundamental, ou mesmo &quot;o&quot; passo fundamental, em dire&#231;&#227;o a um novo modelo para a economia brasileira.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Contra a concentra&#231;&#227;o.&lt;/strong&gt; Nos dois &#250;ltimos anos, e sobretudo a partir das revela&#231;&#245;es do &quot;caso Lutfalla&quot;, o pa&#237;s tomara consci&#234;ncia crescente das distor&#231;&#245;es de seu capitalismo de fancaria. O &quot;perd&#227;o&quot; de impostos, os juros de pai para filho, com uma parte paga pelo governo, eram incentivos concedidos a grupos empresariais privilegiados, originando distor&#231;&#245;es em cadeia &#8212; muito mais amplas que o simples enriquecimento de uns pouco privilegiados, &#224;s custas de toda a coletividade. Elas acabavam afetando a economia brasileira em suas pr&#243;prias bases: setores incentivados cresciam artificialmente (ind&#250;stria automobil&#237;stica, frigor&#237;ficos, papel e celulose etc), enfrentando problemas peri&#243;dicos que exigem novos &quot;socorros&quot; do governo &#8212; ou, pior ainda, for&#231;am a manuten&#231;&#227;o de outras distor&#231;&#245;es que comprometem o pr&#243;prio futuro do pa&#237;s (por exemplo, as importa&#231;&#245;es de petr&#243;leo, no caso da ind&#250;stria automobil&#237;stica ou petroqu&#237;mica). Os &quot;furos&quot; do modelo, e suas conseq&#252;&#234;ncias, estavam plenamente identificados, mas restava uma quest&#227;o: teria o novo governo for&#231;a suficiente para tomar decis&#245;es de peso na &#225;rea, sujeitando-se &#224;s press&#245;es pol&#237;ticas dos grupos at&#233; hoje privilegiados dentro da economia? As primeiras medidas do Conselho Monet&#225;rio Nacional indicam que, pelo menos, a &quot;parada&quot; foi aceita, isto &#233;, tenta-se &quot;virar&quot; completamente o modelo, mexendo-se exatamente naquilo que trazia distor&#231;&#245;es ao capitalismo brasileiro. (Antes de prosseguir, um par&#234;nteses: as repetidas refer&#234;ncias, por parte de porta-vozes do novo governo, &#224;s inten&#231;&#245;es de &quot;privatizar&quot; uma s&#233;rie de &#225;reas entregues &#224;s empresas estatais t&#234;m provocado descontentamento em algumas &#225;reas da oposi&#231;&#227;o. Ora, &#233; preciso ver que, politicamente, somente um governo &quot;privatizante&quot; ter&#225; condi&#231;&#245;es, no Brasil, de proceder a certas reformas sociais profundas. A &quot;privatiza&#231;&#227;o&quot; surge, aqui, como uma forma de ganhar a total confian&#231;a do empresariado e de outras &#225;reas influentes da sociedade, evitando-se rea&#231;&#245;es descabidas ante as inova&#231;&#245;es &#8212; e, principalmente, cortando-se a possibilidade de explora&#231;&#245;es pol&#237;ticas em torno de medidas do governo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Adeus aos d&#243;lares.&lt;/strong&gt; Sem grande alarde quanto &#224; sua import&#226;ncia fundamental, o Conselho Monet&#225;rio Nacional decretou o fim do tabu que imperava dentro da economia brasileira desde o &quot;milagre&quot;: os incentivos &#224;s exporta&#231;&#245;es, atrav&#233;s do &quot;perd&#227;o de impostos&quot;, e que consumiriam no m&#237;nimo 40 bilh&#245;es de cruzeiros (ou seja, 40 trilh&#245;es velhos) do governo, isto &#233;, da coletividade brasileira, em 1979, mostrando o elevad&#237;ssimo custo social do tal &quot;modelo exportador&quot;. Na verdade, o CMN adotou uma solu&#231;&#227;o gradualista: o incentivo foi reduzido em 10%, prevendo-se novas redu&#231;&#245;es peri&#243;dicas, at&#233; sua total extin&#231;&#227;o em 1983. T&#237;mido? N&#227;o. &#201; preciso lembrar que toda a economia brasileira foi sendo montada, nos &#250;ltimos anos, em tomo de incentivos de toda a esp&#233;cie, transformando-se num novelo t&#227;o emaranhado que nunca se conseguia corrigir sequer as distor&#231;&#245;es mais &#243;bvias: mexer em qualquer coisa significa alterar a situa&#231;&#227;o de dezenas de outras, ante o artificialismo de todo o sistema montado. Por isso mesmo, pode-se afirmar que a decis&#227;o do CMN &#233; hist&#243;rica: a mudan&#231;a do modelo j&#225; foi decidida, deixando-se para tr&#225;s a fase, verdadeiramente desesperadora, e, que havia diagn&#243;sticos dos desacertos e n&#227;o se come&#231;ava a remov&#234;-los. A mudan&#231;a total, em cinco anos,ser&#225; feita de forma suave, se, provocar traumas e crises, evitando, ainda, rea&#231;&#245;es violentas por parte dos setores atingidos pelas decis&#245;es do CMN.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Erros vantajosos.&lt;/strong&gt; Ainda que a mudan&#231;a nos incentivos se tenha limitado, por ora, ao setor exportador, a decis&#227;o nao pode ser minimizada, pois foi exatamente essa &#225;rea que teve maior poder de &lt;i&gt;lobby&lt;/i&gt;, de pressionar, nos anos recentes. Al&#233;m do mais, n&#227;o se podem ignorar as repetidas refer&#234;ncias de porta-vozes do novo governo &#224;s distor&#231;&#245;es provocadas por outros tipos de incentivos, como as taxas de juros subsidiadas. Essas refer&#234;ncias s&#227;o, claramente, uma forma de preparar o caminho para mudan&#231;as que j&#225; est&#227;o decididas, faltando, no m&#225;ximo, seu detalhamento para a divulga&#231;&#227;o e implanta&#231;&#227;o. N&#227;o se pode deixar de prever que as mudan&#231;as trar&#227;o temores e inquieta&#231;&#245;es, aut&#234;nticas ou mesmo estimuladas por poderosos interesses, junto &#224; opini&#227;o p&#250;blica. Para esse clima pessimista contribuir&#227;o certamente as an&#225;lises segundo as quais o ano de 1979 ser&#225; extremamente dif&#237;cil, tanto em termos de infla&#231;&#227;o quanto de balan&#231;o de pagamentos. O governo precisa estar atento a elas, procurando neutraliz&#225;-las atrav&#233;s do esclarecimento amplo da situa&#231;&#227;o real que o pa&#237;s enfrenta naquelas &#225;reas. Na verdade, os erros b&#225;sicos do governo que est&#225; expirando foram exatamente n&#227;o combater a infla&#231;&#227;o com a decis&#227;o necess&#225;ria e tolerar a especula&#231;&#227;o financeira at&#233; como forma de trazer d&#243;lares para o pa&#237;s, com empr&#233;stimos externos aplicados no &lt;i&gt;open&lt;/i&gt;. O novo governo pode valer-se de todos esses erros para reduzir rapidamente as taxas de infla&#231;&#227;o no pa&#237;s. O ac&#250;mulo de d&#243;lares (12 bilh&#245;es em reservas) tranq&#252;iliza em rela&#231;&#227;o &#224; d&#237;vida externa (por ora), facilita o combate &#224; especula&#231;&#227;o financeira, isto &#233;, aos juros altos (e a redu&#231;&#227;o do dep&#243;sito pr&#233;vio sobre as importa&#231;&#245;es, anunciada pelo CMN, atuar&#225; no mesmo sentido). E, paradoxalmente, a intensa especula&#231;&#227;o com alguns alimentos, consentida em 1977 e 1978, servir&#225; agora como fator de redu&#231;&#227;o no ritmo da infla&#231;&#227;o, com os pre&#231;os voltando a n&#237;veis mais normais, inclusive devido &#224; retra&#231;&#227;o do consumidor basta ver os an&#250;ncios de &quot;ofertas especiais&quot; de supermercados, para constatar o excesso de oferta para certos alimentos industrializados ou &lt;i&gt;in natura&lt;/i&gt; &#8211; uma tend&#234;ncia que certamente se refletir&#225; nos &#237;ndices da FGV, trazendo-os para baixo.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title> Sem l&#225;grimas para a morte do PIB. Am&#233;m</title>
		<link>https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?article1532</link>
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		<dc:date>2011-08-29T02:49:19Z</dc:date>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Pedro Biondi</dc:creator>


		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Revista Isto &#201;</dc:subject>
		<dc:subject>Pa&#237;s do Futuro</dc:subject>

		<description>Mais que o in&#237;cio de um novo ano, o que leva o pa&#237;s a debater o futuro pr&#243;ximo de sua economia &#233; a iminente mudan&#231;a de governo. A na&#231;&#227;o precisa, por isso mesmo, neste momento, estar atenta, atent&#237;ssima, ao ressurgimento do falso dilema que lhe &#233; eternamente colocado, a saber, &quot;renunciar ao crescimento para combater a infla&#231;&#227;o, ou manter altas taxas de crescimento e aceitar taxas elevadas de infla&#231;&#227;o?&quot; A &quot;infla&#231;&#227;o do chuchu&quot;, em 1977, a &quot;infla&#231;&#227;o da cebola e da carne&quot;, em 1978, j&#225; deveriam ter sido mais do (...)

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		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Mais que o in&#237;cio de um novo ano, o que leva o pa&#237;s a debater o futuro pr&#243;ximo de sua economia &#233; a iminente mudan&#231;a de governo. A na&#231;&#227;o precisa, por isso mesmo, neste momento, estar atenta, atent&#237;ssima, ao ressurgimento do falso dilema que lhe &#233; eternamente colocado, a saber, &quot;renunciar ao crescimento para combater a infla&#231;&#227;o, ou manter altas taxas de crescimento e aceitar taxas elevadas de infla&#231;&#227;o?&quot; A &quot;infla&#231;&#227;o do chuchu&quot;, em 1977, a &quot;infla&#231;&#227;o da cebola e da carne&quot;, em 1978, j&#225; deveriam ter sido mais do que suficientes para demonstrar que o fen&#244;meno inflacion&#225;rio, no Brasil, tem tamb&#233;m motiva&#231;&#245;es muito simples (especula&#231;&#227;o, poder de press&#227;o de grandes grupos, coniv&#234;ncia oficial com esse poder de press&#227;o etc). Deveriam ter enterrado, de uma vez por todas, as sofisticadas teorias econ&#244;micas invocadas para explic&#225;-lo &#8212; e, por extens&#227;o, tamb&#233;m os mecanismos destinados a &quot;esfriar&quot; a economia a pretexto de evitar a alta de pre&#231;os. Infelizmente, esse enterro ainda n&#227;o aconteceu &#8212; e o falso dilema ressurge mais forte do que nunca, neste momento, ante os reajustes de pre&#231;os decididos pelos pa&#237;ses da Opep. Por incr&#237;vel que pare&#231;a, o primeiro passo para a na&#231;&#227;o agir com clareza, neste ano novo em que se inicia tamb&#233;m um novo governo, &#233; vacinar-se contra outra falsidade, outro mito: o PIB.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Espelho falso.&lt;/strong&gt; J&#225; se falou nesta distor&#231;&#227;o, aqui, em outras ocasi&#245;es. A na&#231;&#227;o brasileira &#8211; e mesmo os seus segmentos oposicionistas &#8211;, apesar de todas as cr&#237;ticas que tem feito &#224; mentalidade tecnocr&#225;tica, absorveu, incorporou algum de seus v&#237;cios de comportamento. Um dos mais graves, sem d&#250;vida, &#233; a preocupa&#231;&#227;o com o PIB, isto &#233;, com o crescimento estat&#237;stico da economia. J&#225; foi dito, centenas de vezes, que o PIB &#233; uma fic&#231;&#227;o e n&#227;o d&#225;, em hip&#243;tese alguma, uma ideia real da &quot;sa&#250;de&quot; da economia. Ele, simplificadamente, &#233; a soma dos valores dos bens produzidos dentro de um pa&#237;s. Assim, num exemplo extremo, se for inaugurada uma f&#225;brica de u&#237;sque que produza 100 mil litros, no valor de Cr$ 1.000,00 o litro, ou Cr$ 100 milh&#245;es no total, o PIB &quot;crescer&#225;&quot;, naquele ano, em 100 milh&#245;es de cruzeiros. Se, nesse mesmo ano, um desastre clim&#225;tico qualquer provocar a perda de 100 mil sacas de cebola, a Cr$ 100,00 a saca, o preju&#237;zo total dos produtores ser&#225; de Cr$ 10 milh&#245;es &#8211; e o PIB decrescer&#225; nestes Cr$ 10 milh&#245;es. E da&#237;? Levando-se em conta somente a f&#225;brica de u&#237;sque e os produtores de cebola, o PIB crescer&#225; Cr$ 90 milh&#245;es, isto &#233;, o acr&#233;scimo de Cr$ 100 milh&#245;es da nova f&#225;brica, menos o decr&#233;scimo de Cr$ 10 milh&#245;es das 100 mil sacas de cebola. Como se v&#234;, um crescimento totalmente ilus&#243;rio, que n&#227;o retrata os problemas de perda de renda de dezenas de milhares de produtores. Ou mais claramente ainda: o que importa n&#227;o &#233; a velocidade com que o PIB cresce, e sim de que forma o produto, o resultado desse crescimento (a renda, em outras palavras) est&#225; sendo distribu&#237;do. Produtos de alto valor que comecem a ser fabricados no pa&#237;s gra&#231;as a um novo investimento industrial podem &quot;inchar&quot; o PIB, sem grandes efeitos multiplicadores sobre a economia. Inversamente, produtos de pequeno valor cuja produ&#231;&#227;o aumente velozmente t&#234;m pequeno efeito sobre o PIB &#8212; embora possam estar contribuindo para acelerar a gera&#231;&#227;o de empregos e a melhoria na redistribui&#231;&#227;o da renda, com efeitos multiplicadores altamente ben&#233;ficos para a economia, a m&#233;dio e longo prazos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Erro de todos.&lt;/strong&gt; Insiste-se em mostrar a falsidade do PIB porque, infelizmente, o pa&#237;s perdeu o h&#225;bito de perguntar-se &quot;como crescer?&quot; ou &quot;a quem o crescimento deve beneficiar?&quot; Esquece-se, com assustadora frequ&#234;ncia &#8211; ou sempre, pode-se dizer &#8211;, que uma taxa de crescimento de 3% pode ser &#243;tima e uma taxa de crescimento de 10% pode ser p&#233;ssima, tudo dependendo da forma como esse crescimento contribui para a solu&#231;&#227;o ou agrava problemas da economia (ou mesmo da sociedade brasileira). A produ&#231;&#227;o de autom&#243;veis de luxo de alt&#237;ssimo valor, pode &quot;inchar&quot; o PIB &#8211; e aumentar os gastos em d&#243;lares com a importa&#231;&#227;o de mat&#233;rias-primas e petr&#243;leo. A produ&#231;&#227;o de tecidos de algod&#227;o de valor comparativamente baixo pode criar empregos em larga escala, inclusive na agricultura &#8211; e reduzir as importa&#231;&#245;es de t&#234;xteis.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sem consci&#234;ncia.&lt;/strong&gt; Quando se raciocina somente em cima de &#237;ndices estat&#237;sticos, acaba-se perdendo o contato com a realidade. A tecnoestrutura tem at&#233; um argumento de fundo &quot;social&quot; para defender o crescimento do PIB, a taxas altas, a cria&#231;&#227;o de empregos. Mas essa canoa &#233; furada, e, infelizmente, mesmo os segmentos oposicionistas da sociedade brasileira freq&#252;entemente embarcam nela, sem se aperceberem de que est&#227;o cometendo grave equ&#237;voco, endossando outro mito absolutamente odioso. No mundo das estat&#237;sticas, os tecnocratas procuram &#8220;medir&#8221; tudo. Ent&#227;o, apuraram que, quando o PIB cresceu 4% ao ano, foram criados, suponha-se, 1,5 milh&#227;o de empregos; com um crescimento de 7%, o mercado de trabalho ofereceria mais 2,5 milh&#245;es de vagas; com taxas de 10%, as vagas iriam a 3, 5 milh&#245;es, e assim sucessivamente. Ora, essa rela&#231;&#227;o entre crescimento do PIB e oferta de empregos &#233; absolutamente falsa. O pr&#243;prio exemplo da cebola e do u&#237;sque mostra que uma &#250;nica f&#225;brica pode &quot;inchar&quot; o PIB, apesar de estar criando 100 ou 200 empregos, apenas. Assim, &#233; f&#225;cil entender que o PIB do pa&#237;s pode at&#233; crescer a taxas consideradas &quot;baixas&quot; e, no entanto, estar resolvendo o seu principal problema econ&#244;mico-social: o alargamento do mercado de trabalho e a cria&#231;&#227;o de renda de forma melhor distribu&#237;da (o que, repita-se, ter&#225; efeitos altamente positivos tamb&#233;m sobre o crescimento da economia, nos anos seguintes). Infelizmente, a cada vez que se procura rediscutir os problemas da economia brasileira, surge a grita &#8212; at&#233; bem-intencionada &#8212; contra os riscos do menor crescimento do PIB, por causa do mercado de trabalho. Esse mito precisa ser abandonado, de uma vez por todas, pelos setores mais l&#250;cidos da sociedade brasileira.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Novo &#226;nimo.&lt;/strong&gt; O que o pa&#237;s precisa fazer, &#233; &#243;bvio, &#233; rediscutir prioridades e verificar em que &#225;reas investir para resolver seus problemas mais prementes. Os setores com capacidade de gerar novos empregos em larga escala, mesmo que n&#227;o contribuam para o incha&#231;o do PIB, devem estar em primeir&#237;ssimo plano. Os outros devem ter investimentos moderados, principalmente quando altamente dependentes de importa&#231;&#245;es. Feita essa op&#231;&#227;o, o pa&#237;s poder&#225; dedicar-se tranq&#252;ilamente &#224; luta contra a infla&#231;&#227;o, que n&#227;o &#233; o &quot;bicho de sete cabe&#231;as&quot; em que se fala, quando encarada com senso de realismo.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
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		<title>Surpresa: os empres&#225;rios anarquistas</title>
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		<dc:date>2011-08-29T02:44:21Z</dc:date>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Pedro Biondi</dc:creator>


		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Revista Isto &#201;</dc:subject>
		<dc:subject>Mercado Financeiro</dc:subject>

		<description>O trecho &#233; longo, mas vale a pena reproduzi-lo: &quot;A Associa&#231;&#227;o dos Bancos de Investimento &#8211; Anbid &#8211; constituir&#225; hoje, na reuni&#227;o de seu Conselho de Representantes a realizar-se em S&#227;o Paulo, uma comiss&#227;o destinada a formular um C&#243;digo de &#201;tica para as atividades financeiras: seu trabalho ter&#225; como refer&#234;ncia as normas &#233;ticas que orientam, nos EUA, as atividades dos associados da National Association of Security Dealers &#8211; Nasd. A ideia do C&#243;digo de &#201;tica para as atividades financeiras foi lan&#231;ada h&#225; alguns (...)

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		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;O trecho &#233; longo, mas vale a pena reproduzi-lo: &quot;A Associa&#231;&#227;o dos Bancos de Investimento &#8211; Anbid &#8211; constituir&#225; hoje, na reuni&#227;o de seu Conselho de Representantes a realizar-se em S&#227;o Paulo, uma comiss&#227;o destinada a formular um C&#243;digo de &#201;tica para as atividades financeiras: seu trabalho ter&#225; como refer&#234;ncia as normas &#233;ticas que orientam, nos EUA, as atividades dos associados da National Association of Security Dealers &#8211; Nasd. A ideia do C&#243;digo de &#201;tica para as atividades financeiras foi lan&#231;ada h&#225; alguns meses pelo presidente da Anbid, Casimiro Ribeiro, por considerar importante que os pr&#243;prios empres&#225;rios do mercado formulem normas destinadas a regular suas atividades, onde n&#227;o haja ou n&#227;o seja poss&#237;vel haver defini&#231;&#227;o legal ou regulamentar&quot;. Por tr&#225;s dessa empolada linguagem estava a iniciativa do pr&#243;prio mercado financeiro, no sentido de impedir distor&#231;&#245;es, irregularidades, desrespeitos a normas do Banco Central, isto &#233;, do governo brasileiro, e que conduziam o mercado financeiro a crises peri&#243;dicas, &quot;estouros&quot;, especula&#231;&#227;o desenfreada etc. Uma iniciativa pra valer? Conversa fiada. O leitor menos avisado pode at&#233; pensar que a proposta &#233; de agora, quando o &lt;i&gt;open&lt;/i&gt; surge como aut&#234;ntico cassino a destruir a economia nacional. Mas n&#227;o &#233; n&#227;o. O trecho foi extra&#237;do do &lt;i&gt;Jornal do Brasil&lt;/i&gt; de 28/3/74, isto &#233;, pouco antes da posse do atual governo. E, por coincid&#234;ncia, pouco antes de estourar o &quot;caso Halles&quot;. Magn&#237;fica coincid&#234;ncia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os anarquistas.&lt;/strong&gt; Qual a rela&#231;&#227;o entre os dois fatos? Qualquer bom observador, puxando um pouco pela mem&#243;ria, vai verificar que, todas as vezes em que o governo, isto &#233;, a coletividade, procura disciplinar as atividades de qualquer setor no pa&#237;s, logo surgem os &quot;C&#243;digos de &#201;tica&quot;, os &quot;C&#243;digos de Auto-Regulamenta&#231;&#227;o&quot;. Defendidos na base da velha ladainha: estabelecer normas que limitem a a&#231;&#227;o do empres&#225;rio &#233; &quot;interven&#231;&#227;o do Estado na economia&quot;, &#233; contra a &quot;filosofia do capitalismo&quot;, &#233; &quot;estatiza&#231;&#227;o&quot;. O pr&#243;prio empresariado &#8211; reza a cartilha oportunista &#8211; tem condi&#231;&#245;es de estabelecer normas e at&#233; mesmo autofiscalizar-se, isto &#233;, impedir que ocorram abusos e fraudes no setor, atrav&#233;s da fiscaliza&#231;&#227;o dos atos dos integrantes do setor. No plano ut&#243;pico, &#233; at&#233; verdade. Quando h&#225; fraudes, falcatruas, irregularidades numa &#225;rea empresarial &#8212; n&#227;o apenas no setor financeiro &#8211;, o fato &#233; largamente conhecido dentro do setor: mas h&#225; uma conspira&#231;&#227;o de sil&#234;ncio para n&#227;o traz&#234;-las &#224; luz &#8212; porque, no final das contas, as irregularidades acabam beneficiando, engordando os lucros de quase todos &#8212;, como ocorre hoje no mercado financeiro. Quase todos os que operam na &#225;rea, bem entendido &#8212; o resto da na&#231;&#227;o, a na&#231;&#227;o em si, que se desgrace.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sem governo?&lt;/strong&gt; Em qualquer na&#231;&#227;o civilizada, o Estado dita normas que regem as rela&#231;&#245;es dos diversos segmentos da sociedade. Isso &#233; &#243;bvio. Mas n&#227;o o &#233; no Brasil. At&#233; os segmentos mais esclarecidos da sociedade, at&#233; a imprensa, frequentemente se impressionam com o &lt;i&gt;lobby&lt;/i&gt; contra a pretensa estatiza&#231;&#227;o, isto &#233;, embarcam na canoa dos poderosos grupos econ&#244;micos que rejeitam normas &#8212; e fiscaliza&#231;&#227;o &#8212; para suas atividades, para que possam praticar livremente suas falcatruas (um dos lugares-comuns dessa campanha &#233; a onda contra a &quot;burocratiza&#231;&#227;o excessiva&quot;, o &quot;excesso de pap&#233;is&quot; exigidos pelo governo. Quando essa onda &#233; levantada por um setor qualquer, o governo acaba suprimindo algumas exig&#234;ncias e alguns documentos, e o resultado &#233; matem&#225;tico: da&#237; a alguns meses, come&#231;am a ser descobertas fraudes imensas. E elas s&#227;o descobertas n&#227;o gra&#231;as &#224; fiscaliza&#231;&#227;o ou coisa parecida, mas simplesmente porque uma ou duas empresas v&#227;o longe demais, acabam n&#227;o podendo honrar seus compromissos &#8211; e estouram. A&#237;, surge a bandalheira toda &#8211; de que todo o setor participa, na verdade).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um caso exemplar.&lt;/strong&gt; Quando o mercado financeiro anunciou que iria auto-regulamentar-se, em 1974, ele tinha v&#225;rios bons motivos para isso. Em primeiro lugar, o &quot;caso Halles&quot; j&#225; ia estourar (al&#233;m de outros casos, menos cotados): era previs&#237;vel que algumas novas normas fossem estabelecidas pelo governo no sentido de disciplinar o mercado. Al&#233;m disso, estava prestes a tomar posse um novo governo &#8211; do qual muito se esperava, em termos de rigor e saneamento do mercado financeiro. E, finalmente, o mercado financeiro &#8211; como de resto qualquer setor empresarial &#8211; sabe muito bem que o pa&#237;s tem mem&#243;ria curta: o neg&#243;cio &#233; anunciar que vai fazer um &quot;C&#243;digo de &#201;tica&quot; e autofiscalizar-se. Depois, pode abandonar o assunto, que ningu&#233;m vai cobrar nada &#8211; e todo mundo pode retomar alegremente &#224;s fraudes e irregularidades. Est&#225; a&#237; o mercado financeiro para n&#227;o deixar ningu&#233;m mentir. Ou o setor de eletrodom&#233;sticos, que anunciou um C&#243;digo de &#201;tica h&#225; uns tr&#234;s anos, quando a pol&#237;tica de defesa do consumidor come&#231;ou a ser muito falada no pa&#237;s. E assim por diante.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Outro caso exemplar.&lt;/strong&gt; H&#225; poucas semanas, a Comiss&#227;o Nacional de Valores Mobili&#225;rios, &#243;rg&#227;o incumbido de fiscalizar, fundamentalmente, o mercado de a&#231;&#245;es, divulgou o t&#227;o esperado relat&#243;rio sobre o &quot;caso Petrobr&#225;s&quot;, isto &#233;, a poss&#237;vel manipula&#231;&#227;o com a&#231;&#245;es dessa empresa, por ocasi&#227;o da anunciada descoberta de petr&#243;leo em Santos. Decepcionante. O relat&#243;rio? N&#227;o. O comportamento da imprensa, que, mais uma vez, deve ter lido o trabalho &quot;por cima&quot;, em quinze minutos. Porque, com uma &#250;nica exce&#231;&#227;o, o notici&#225;rio n&#227;o enxergou o essencial no relat&#243;rio. A CVM n&#227;o reuniu provas suficientes para incriminar algu&#233;m &#8212; mas coletou e exibiu, exaustivamente, evid&#234;ncias de manipula&#231;&#227;o. Havia mais, por&#233;m &#8212; e esse foi o dado fundamental que a imprensa n&#227;o enxergou (ou n&#227;o quis enxergar, apenas porque a CVM criticou o comportamento de alguns jornais no caso, ferindo suscetibilidades como sempre ocorre quando se questionam atitudes de qualquer ala da intelectualidade brasileira). &#192; CVM mostrou &#8212; e isso era o essencial &#8212; que a Bolsa continua marcada por irregularidades, manipula&#231;&#245;es, &quot;puxadas&quot;, fraudes, enfim. Como rotina. Como rotina, todo o sistema continua viciado. E da&#237;? Da&#237;, &#243;bvio, que os setores ligados &#224; Bolsa j&#225; est&#227;o falando em um C&#243;digo de &#201;tica para suas opera&#231;&#245;es &#8211; quando j&#225; existe legisla&#231;&#227;o para disciplin&#225;-las e autoridades para fiscaliz&#225;-las. O governo brasileiro e, mais ainda, a opini&#227;o p&#250;blica brasileira precisam vacinar-se contra esse engodo da auto-regulamenta&#231;&#227;o. E um bom come&#231;o seria o Conselho Monet&#225;rio Nacional, em sua reuni&#227;o desta semana, colocar hipocrisias e sofismas de lado e tomar medidas efetivas para disciplinar o mercado financeiro.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
<item xml:lang="pt_br">
		<title>A luta contra o tabu da d&#237;vida externa</title>
		<link>https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?article1530</link>
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		<dc:date>2011-08-29T02:39:10Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Pedro Biondi</dc:creator>


		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Revista Isto &#201;</dc:subject>
		<dc:subject>D&#237;vida, Juros e FMI</dc:subject>

		<description>H&#225; dois pontos, nas cr&#237;ticas dos empres&#225;rios paulistas &#224; constru&#231;&#227;o da usina de Tubar&#227;o, que merecem ser meditados pelo pa&#237;s. Tentou-se justificar a implanta&#231;&#227;o de gigantescos projetos no pa&#237;s pela necessidade de obter d&#243;lares, para acelerar o crescimento e pagar a d&#237;vida externa. No caso de Tubar&#227;o, a exporta&#231;&#227;o de min&#233;rio de ferro, mais barato, seria substitu&#237;da pela exporta&#231;&#227;o de placas, de maior valor no mercado mundial. Mas para produzir essas placas &#233; preciso importar carv&#227;o, que custa quatro ou cinco (...)

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		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;H&#225; dois pontos, nas cr&#237;ticas dos empres&#225;rios paulistas &#224; constru&#231;&#227;o da usina de Tubar&#227;o, que merecem ser meditados pelo pa&#237;s. Tentou-se justificar a implanta&#231;&#227;o de gigantescos projetos no pa&#237;s pela necessidade de obter d&#243;lares, para acelerar o crescimento e pagar a d&#237;vida externa. No caso de Tubar&#227;o, a exporta&#231;&#227;o de min&#233;rio de ferro, mais barato, seria substitu&#237;da pela exporta&#231;&#227;o de placas, de maior valor no mercado mundial. Mas para produzir essas placas &#233; preciso importar carv&#227;o, que custa quatro ou cinco vezes mais que o min&#233;rio de ferro. Esse, o primeiro ponto. Al&#233;m disso, toda a infra-estrutura &#8211; fornecimento de energia el&#233;trica, rodovias, ferrovias, porto &#8212; para permitir a produ&#231;&#227;o e seu escoamento custaria 2,7 bilh&#245;es de d&#243;lares, isto &#233;, mais do que a pr&#243;pria sider&#250;rgica em si, or&#231;ada em 2,0 bilh&#245;es de d&#243;lares. Moral da hist&#243;ria: os planejadores da &#233;poca do milagre s&#243; sabiam fazer contas de somar, e n&#227;o de subtrair. &quot;Somavam&quot; sempre os d&#243;lares que iriam entrar no pa&#237;s com a venda futura da produ&#231;&#227;o dos projetos megal&#244;manos, e nunca subtra&#237;am os d&#243;lares que iam sair com a implanta&#231;&#227;o do projeto. Esse fen&#244;meno tem import&#226;ncia fundamental, pois joga por terra todos os mitos criados em torno da inevitabilidade do crescimento da d&#237;vida externa do pa&#237;s. Mostra, em resumo, a necessidade de revis&#227;o imediata do modelo, antes que o Brasil se veja novamente em regime de concordata diante dos credores internacionais, como esteve tantas vezes nos &#250;ltimos anos (as condi&#231;&#245;es impostas pelos s&#243;cios estrangeiros no pr&#243;prio projeto de Tubar&#227;o mostram como o Brasil, por causa de sua d&#237;vida externa, esteve v&#225;rias vezes com a corda no pesco&#231;o, for&#231;ado a submeter-se a imposi&#231;&#245;es humilhantes, de espolia&#231;&#227;o mesmo).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aritm&#233;tica vesga.&lt;/strong&gt; J&#225; se disse aqui, meses atr&#225;s, que os tecnocratas oficiais que afirmam que &quot;mercado interno n&#227;o fecha balan&#231;o de pagamentos&quot; estavam mentindo &#224; na&#231;&#227;o, ou incorrendo no erro elementar de s&#243; adotar a aritm&#233;tica das adi&#231;&#245;es, e n&#227;o a das subtra&#231;&#245;es. Aquela frase pretensamente espirituosa procurava lembrar &#224; opini&#227;o p&#250;blica que mercadorias vendidas no mercado interno n&#227;o geram d&#243;lares, isto &#233;, n&#227;o ajudam a acertar as contas internacionais do pa&#237;s &#8211; e ele tem uma d&#237;vida externa a pagar. Mas, quando se faz as contas corretamente, pode-se ver que os grandes projetos de exporta&#231;&#227;o &#233; que, em lugar de &quot;fechar o balan&#231;o&quot;, alargam o precip&#237;cio da d&#237;vida externa. E, opostamente, medidas voltadas para o mercado interno podem poupar d&#243;lares nas importa&#231;&#245;es, isto &#233;, podem efetivamente &quot;somar d&#243;lares&quot; para o pa&#237;s. Por exemplo: investimentos maci&#231;os no transporte ferrovi&#225;rio de cargas e passageiros, ou nos sistemas de metr&#244; ou mesmo &#244;nibus das grandes capitais levar&#227;o for&#231;osamente a uma economia apreci&#225;vel de petr&#243;leo, isto &#233;, de d&#243;lares.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;De alto a baixo.&lt;/strong&gt; O &quot;caso Tubar&#227;o&quot;, pela repercuss&#227;o que vem alcan&#231;ando, pode ajudar o pa&#237;s a descobrir que ele deve repensar imediatamente seu modelo de desenvolvimento para n&#227;o viver com sua soberania amea&#231;ada pelo pesadelo da d&#237;vida externa. E tamb&#233;m porque, com essa revis&#227;o, o desenvolvimento econ&#244;mico poder&#225; ser feito de forma equilibrada, resolvendo-se simultaneamente problemas que hoje geram tens&#245;es sociais no pa&#237;s. Mais uma vez, &#233; preciso repetir o que se disse aqui: esta &#233; a oportunidade de ouro para tal revis&#227;o, exatamente porque o pa&#237;s conseguiu alguma &quot;folga&quot; em rela&#231;&#227;o &#224; sua d&#237;vida externa, a m&#233;dio prazo &#8212; frise-se. A afirma&#231;&#227;o parece absurda a muitos analistas, mas o problema &#233; que tais analistas padecem de um santo horror &#224; realidade, e aos n&#250;meros, fazendo racioc&#237;nios em cima do vazio. Seu horror &#224; realidade os impede de identificar oportunidades de mudan&#231;as, de fazer propostas que situa&#231;&#245;es novas tornam plenamente fact&#237;veis.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;A grande chance.&lt;/strong&gt; Com a sobra de d&#243;lares no mercado mundial, o Brasil j&#225; acumulou reservas da ordem de 9,5 bilh&#245;es de d&#243;lares, podendo, at&#233; o final do ano, ultrapassar os 11,0 bilh&#245;es de d&#243;lares. L&#243;gico que ser&#227;o empr&#233;stimos, que ter&#227;o que ser pagos no futuro. L&#243;gico, ainda, que eles custam car&#237;ssimo &#224; na&#231;&#227;o, ao seu povo, que trabalha para pagar as presta&#231;&#245;es e os juros da d&#237;vida, contra&#237;da, em grande parte, sem necessidade &#8211; ou para alimentar a especula&#231;&#227;o financeira. Mas (e por isso mesmo), com as reservas a esse n&#237;vel, a d&#237;vida l&#237;q&#252;ida do Brasil (total a pagar menos reservas dispon&#237;veis) para os pr&#243;ximos tr&#234;s anos acusa sens&#237;vel al&#237;vio. Mesmo que o pais tenha a pagar de 16 a 18 bilh&#245;es de d&#243;lares nestes pr&#243;ximos tr&#234;s anos, em amortiza&#231;&#245;es da d&#237;vida, ele j&#225; teria 11 bilh&#245;es em caixa, isto &#233;, n&#227;o precisara obter mais que 5 a 7 bilh&#245;es de d&#243;lares no mercado mundial &#8211; em tr&#234;s anos &#8211;, para atender a esse compromisso, numa m&#233;dia de 2,0 a 2,5 bilh&#245;es de d&#243;lares por ano. Uma chance &#250;nica para quebrar o c&#237;rculo vicioso da d&#237;vida externa/projeto megal&#244;mano voltado para a exporta&#231;&#227;o/maior d&#237;vida externa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Planos prontos.&lt;/strong&gt; A mudan&#231;a do modelo implicaria redistribuir a renda, ampliar o mercado interno, abandonar a &#234;nfase &#224;s exporta&#231;&#245;es (quest&#245;es hoje t&#227;o conhecidas que &#233; ocioso falar nelas). Essa reviravolta n&#227;o exigir&#225; estudos demorados, diagn&#243;sticos complicados &#8212; tempo, enfim. Por menos que a na&#231;&#227;o tenha acreditado nisso, houve uma abertura, nos dois &#250;ltimos anos, para o debate tamb&#233;m dos temas econ&#244;micos. As distor&#231;&#245;es do modelo brasileiro, e os caminhos para corrigi-las, est&#227;o plenamente diagnosticados em trabalhos do Ipea, na &#225;rea oficial, e nas conclus&#245;es da Conclap &#8212; Confer&#234;ncia das Classes Produtoras &#8212;, na &#225;rea empresarial, ou ainda nos estudos realizados pelo BNDE juntamente com a classe empresarial. Tudo que o pa&#237;s precisa &#233; lev&#225;-los a s&#233;rio, com rapidez, cuidando de sua implementa&#231;&#227;o. Definida a sucess&#227;o presidencial, t&#233;cnicos do pr&#243;ximo governo deveriam passar a trabalhar imediatamente, em colabora&#231;&#227;o com os autores daquelas propostas &#8212; e tamb&#233;m com os representantes dos diversos segmentos sociais &#8212; para o estabelecimento de diretrizes que permitam sua pronta execu&#231;&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;A urg&#234;ncia.&lt;/strong&gt; Neste momento, os produtores de mandioca de S&#227;o Paulo enfrentam uma crise, por falta de mercado. Sobra leite e queijo. O a&#231;&#250;car &#233; exportado com preju&#237;zo de 135 d&#243;lares a tonelada (preju&#237;zo acumulado no ano: 127,6 milh&#245;es de d&#243;lares), pois n&#227;o teria coloca&#231;&#227;o no mercado interno. Sobra pescado. Como sobrou arroz em 1976, carne, milho e feij&#227;o em 1977. Como sobrar&#225; caf&#233; em futuro pr&#243;ximo. O problema do Brasil n&#227;o &#233; falta de recursos para produzir &#8211; justificativa apresentada para &quot;atrair&quot; capitais estrangeiros, aumentando a d&#237;vida externa. &#201; de falta de mercado para consumir o que &#233; produzido, permitindo um crescimento sem altos e baixos. Sem d&#237;vida. Com soberania.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Neste pa&#237;s de portas arrombadas</title>
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		<dc:date>2011-08-29T02:33:53Z</dc:date>
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		<dc:creator>Pedro Biondi</dc:creator>


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		<dc:subject>Revista Isto &#201;</dc:subject>
		<dc:subject>Mercado Financeiro</dc:subject>

		<description>Quase ningu&#233;m, mesmo nos segmentos mais bem-informados da opini&#227;o p&#250;blica brasileira, escapa a um grave equivoco, que deixa o caminho livre para distor&#231;&#245;es que arrasam a economia do pa&#237;s. Quando se fala em especula&#231;&#227;o, no Brasil, a imagem que vem &#224; cabe&#231;a de todos &#233; a de gangsters (vestidos em capas de chuva de gola levantada) a tramar falcatruas e espertezas. Qual o mal dessa imagem? Nela encara-se a especula&#231;&#227;o como uma distor&#231;&#227;o, um caso isolado, e o especulador, um marginal, um aventureiro, um (...)

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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Quase ningu&#233;m, mesmo nos segmentos mais bem-informados da opini&#227;o p&#250;blica brasileira, escapa a um grave equivoco, que deixa o caminho livre para distor&#231;&#245;es que arrasam a economia do pa&#237;s. Quando se fala em especula&#231;&#227;o, no Brasil, a imagem que vem &#224; cabe&#231;a de todos &#233; a de &lt;i&gt;gangsters&lt;/i&gt; (vestidos em capas de chuva de gola levantada) a tramar falcatruas e espertezas. Qual o mal dessa imagem? Nela encara-se a especula&#231;&#227;o como uma distor&#231;&#227;o, um caso isolado, e o especulador, um marginal, um aventureiro, um espertalh&#227;o que sabe tirar proveito de determinadas situa&#231;&#245;es. Com isso, o fen&#244;meno da especula&#231;&#227;o &#233; encarado como algo sem maior import&#226;ncia, sem graves efeitos sobre a economia como um todo.
Esse racioc&#237;nio leva &#224; conclus&#227;o falsa de que a especula&#231;&#227;o &#233; &quot;normal&quot;, toler&#225;vel. Essa vis&#227;o errada paralisa a na&#231;&#227;o, que deveria estar exigindo, com furor, o combate &#224; especula&#231;&#227;o financeira. A especula&#231;&#227;o no Brasil (nas Bolsas, no mercado de im&#243;veis e, agora, no setor financeiro) nada tem de &quot;aventura&quot;, n&#227;o &#233; uma exce&#231;&#227;o, nem &#233; praticada por alguns &lt;i&gt;gangsters&lt;/i&gt;. Na verdade, ela &#233; uma situa&#231;&#227;o permanente de distor&#231;&#227;o, e da qual participa todo um segmento da sociedade: os banqueiros, os donos de institui&#231;&#245;es financeiras, as grandes empresas a elas ligadas, as multinacionais, os grandes empres&#225;rios, os grandes aplicadores. S&#227;o interesses poderosos, poderos&#237;ssimos, que sugam todo o restante da sociedade. N&#227;o h&#225; especula&#231;&#227;o. H&#225; espolia&#231;&#227;o. N&#227;o h&#225; especuladores. H&#225; aproveitadores, que ganham rios de dinheiro &#8212; destro&#231;ando, para isso, a economia do pa&#237;s.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mais provas.&lt;/strong&gt; Todos os males que a espolia&#231;&#227;o financeira &#8212; originada das altas taxas de juros &#8212; vem trazendo ao pa&#237;s podem ser entendidos a partir de um levantamento comparativo feito sobre as vendas, os lucros, os empr&#233;stimos tomados, os juros pagos por quarenta das mais importantes empresas do pa&#237;s. A an&#225;lise desses dados, relativos aos anos de 1973,1975 e 1977, feita pelo jornalista Elp&#237;dio Marinho de Matos, &#233; de tal import&#226;ncia que deveria estar sendo estudada pela Presid&#234;ncia da Rep&#250;blica, por deputados da Arena ou do MDB, por economistas, por assessores de entidades do com&#233;rcio, agricultura e ind&#250;stria. Eis algumas das conclus&#245;es tiradas pelo analista a partir dos dados levantados (&lt;i&gt;Gazeta Mercantil&lt;/i&gt;, 12/09/1978):&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;1- A an&#225;lise:&lt;/strong&gt; &quot;a mais importante revela&#231;&#227;o desse quadro &#233; a de que as subsidi&#225;rias multinacionais, com raras exce&#231;&#245;es, s&#227;o as que mais se endividaram nos &#250;ltimos cinco anos. Algumas dessas empresas deixam perplexos os analistas pela elevada rela&#231;&#227;o despesas/financeiras/ vendas. Em alguns casos superaram at&#233; os &#237;ndices registrados por superendividadas empresas estatais (Vale do Rio Doce, Cesp, Sider&#250;rgica Nacional etc.), &#224;s voltas com oneros&#237;ssimas tarefas de investimento em energia, min&#233;rios, a&#231;o e celulose&quot;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O significado:&lt;/strong&gt; as grandes empresas, sobretudo as multinacionais, est&#227;o tomando empr&#233;stimos muito superiores &#224;s suas necessidades &#8212; inclusive no exterior, aumentando a d&#237;vida externa. Para qu&#234;? Um dos objetivos, &#233; &#243;bvio, &#233; usar esse dinheiro para especular no pr&#243;prio mercado financeiro. Mas h&#225; outros objetivos, retratados nos trechos seguintes:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;2- A an&#225;lise:&lt;/strong&gt; &quot;no caso das subsidi&#225;rias das multinacionais, um economista ligado a funda&#231;&#245;es de pesquisa disse a este jornal que o endividamento dessas empresas parece ser superior &#224;s necessidades de investimento (das empresas) e que, em assim sendo, a conclus&#227;o mais l&#243;gica a se extrair dessa anormal tomada de empr&#233;stimos &#233; que as matrizes, com muito dinheiro ocioso... estariam utilizando-se de suas subsidi&#225;rias como plataforma para aplica&#231;&#245;es no mercado financeiro local... Muito desse dinheiro, segundo esse economista, entra no pa&#237;s apenas para beneficiar-se da diferen&#231;a entre a taxa cambial e a taxa de infla&#231;&#227;o&quot;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O significado:&lt;/strong&gt; confirma-se o que se disse aqui h&#225; uma semana. Os aproveitadores da na&#231;&#227;o est&#227;o realizando fortunas, trazendo d&#243;lares a um custo de 40% ao ano e aplicando-os a taxas de juros de 60% ao ano, com um lucro real de 20% (a infla&#231;&#227;o, os abusos do setor financeiro distorceram tanto a mentalidade nacional, que muita gente pode achar 20% uma insignific&#226;ncia. E n&#227;o &#233;. &#201; espolia&#231;&#227;o no mercado internacional, o aplicador que ganha 1 ou 2% ao ano se considera um felizardo. Isso &#233; capitalismo. N&#227;o o que existe no pa&#237;s). Conclus&#227;o: as taxas de juros alt&#237;ssimas pagas e cobradas dentro do Brasil servem para trazer d&#243;lares de que o pa&#237;s n&#227;o precisa e que n&#227;o se destinam a investimentos. A d&#237;vida cresce para que os aproveitadores se locupletem. Qual o pre&#231;o dessa orgia?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;3- A an&#225;lise:&lt;/strong&gt; as estat&#237;sticas do Banco Central &quot;revelavam, em 30 de dezembro de 1977, a exist&#234;ncia de um saldo acumulado de 16,2 bilh&#245;es de d&#243;lares de recursos estrangeiros entrados no pa&#237;s pela Lei n&#186; 4.131, que &#233; a forma de empr&#233;stimo direto da matriz estrangeira para a sua subsidi&#225;ria nacional. Essa import&#226;ncia representava mais da metade da d&#237;vida externa brasileira (32 bilh&#245;es de d&#243;lares) naquela data&quot;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O significado:&lt;/strong&gt; &#233; preciso dizer algo mais? N&#227;o. Apenas refor&#231;ar isto: os dados mostram que a especula&#231;&#227;o n&#227;o &#233; uma distor&#231;&#227;o isolada, e sim uma situa&#231;&#227;o de espolia&#231;&#227;o, consentida pelas autoridades monet&#225;rias. H&#225; mais, por&#233;m:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;4- A an&#225;lise:&lt;/strong&gt; &quot;uma constante nas subsidi&#225;rias das multinacionais, particularmente nas de capital fechado, &#233; o baixo lucro em rela&#231;&#227;o ao patrim&#244;nio... o lucro &#233; maior nas empresas com a&#231;&#245;es em Bolsa... e suas despesas financeiras s&#227;o mais baixas que as do conjunto de subsidi&#225;rias de empresas estrangeiras. Atribui-se essa diferen&#231;a aos compromissos que essas empresas t&#234;m com os acionistas residentes no pa&#237;s e &#224; necessidade legal de maiores e mais discriminadas informa&#231;&#245;es ao governo e ao p&#250;blico&quot;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O significado:&lt;/strong&gt; as multinacionais &quot;fechadas&quot;, sem acionistas brasileiros, n&#227;o precisam justificar perante ningu&#233;m a raz&#227;o da tomada de empr&#233;stimos desnecess&#225;rios. Est&#227;o, assim, se endividando, para &quot;reduzir&quot; seu lucro e fugir ao IR, aqui dentro. E para realizar remessas disfar&#231;adas de lucros a suas matrizes, sob a forma de juros (a lei do capital estrangeiro cobra Imposto de Renda quando as remessas de lucros ultrapassam determinado limite). Os juros s&#227;o isentos (e n&#227;o escandalizam a opini&#227;o p&#250;blica). Nem Imposto de Renda os espoliadores pagam (e at&#233; sonegam), pela liberdade de que desfrutam para aumentar a d&#237;vida do Brasil.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Moral da hist&#243;ria:&lt;/strong&gt; as altas taxas de juros, a especula&#231;&#227;o financeira, n&#227;o s&#227;o uma &quot;simples distor&#231;&#227;o&quot;, coisa de aventureiros. Tem muito caviar debaixo desse pur&#234; de ma&#231;&#227;.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>As manchetes que Ludwig de fato merece</title>
		<link>https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?article1520</link>
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		<dc:date>2011-08-29T00:19:11Z</dc:date>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Pedro Biondi</dc:creator>


		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Revista Isto &#201;</dc:subject>
		<dc:subject>Petr&#243;leo e &#193;lcool</dc:subject>

		<description>Talvez s&#243; a Marta Rocha, no auge de sua carreira, tenha tido Ibope, tanto espa&#231;o nas p&#225;ginas de jornais e revistas, quanto o bilion&#225;rio Ludwig. A d&#225;-c&#225;-l&#225;-essa, palha, o leitor, a opini&#227;o p&#250;blica, e brindado com amplas reportagens sobre o seu imp&#233;rio, muitas vezes na v&#227; tentativa de mostrar que seus empreendimentos seriam incompat&#237;veis com a soberania nacional. Pois Ludwig escapou das manchetes, das reportagens, exatamente quando era preciso denunciar inacredit&#225;veis distor&#231;&#245;es dentro da pol&#237;tica (...)

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&lt;a href="https://www.aloysiobiondi.jor.br/spip.php?mot48" rel="tag"&gt;Petr&#243;leo e &#193;lcool&lt;/a&gt;

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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Talvez s&#243; a Marta Rocha, no auge de sua carreira, tenha tido Ibope, tanto espa&#231;o nas p&#225;ginas de jornais e revistas, quanto o bilion&#225;rio Ludwig. A d&#225;-c&#225;-l&#225;-essa, palha, o leitor, a opini&#227;o p&#250;blica, e brindado com amplas reportagens sobre o seu imp&#233;rio, muitas vezes na v&#227; tentativa de mostrar que seus empreendimentos seriam incompat&#237;veis com a soberania nacional. Pois Ludwig escapou das manchetes, das reportagens, exatamente quando era preciso denunciar inacredit&#225;veis distor&#231;&#245;es dentro da pol&#237;tica econ&#244;mica ou do modelo econ&#244;mico do pa&#237;s. O come&#231;o da hist&#243;ria tem praticamente dois anos. Ao lan&#231;ar o Pro&#225;lcool, o governo o apresentou como um programa revolucion&#225;rio, destinado a acelerar a redistribui&#231;&#227;o de renda no pa&#237;s. Ap&#243;s imensa luta nos bastidores, enfrentando press&#245;es de grandes grupos, governadores estaduais, secret&#225;rios da Agricultura (eles pr&#243;prios usineiros de a&#231;&#250;car), o governo decidiu que uma parcela dos bilh&#245;es de litros de &#225;lcool a serem produzidos usaria a mandioca como mat&#233;ria-prima. A Petrobr&#225;s foi incumbida de montar as usinas que funcionariam nessa base, decidindo-se que elas surgiriam em regi&#245;es de intensa pobreza. Por qu&#234;? Centenas de milhares de fam&#237;lias (centenas de milhares, mesmo, sem qualquer for&#231;a de express&#227;o), produtores marginalizados hoje sem qualquer renda, plantariam a mandioca para a empresa estatal. Seria o Pro&#225;lcool criando empregos, renda, fixando o homem no interior, evitando o &#234;xodo rural e por a&#237; afora. Seria. S&#243; que, meses depois, ficava-se sabendo que o governo decidira mudar tudo. No caso da usina de Curvelo, em Minas Gerais, o plantio e o fornecimento de mandioca deixavam de ser atribui&#231;&#245;es de centenas de milhares de fam&#237;lias: dois grandes grupos abiscoitavam tudo. Ludwig e Antunes (da Hanna/Icomi). Um doce para quem n&#227;o souber qual foi o pretexto invocado para essa reviravolta. Como sempre, l&#243;gico, a desculpa &quot;tecnol&#243;gica&quot;. Era preciso produzir mandioca em larga escala, era preciso t&#233;cnica para isso, e, l&#243;gico, somente grandes grupos teriam condi&#231;&#245;es de faz&#234;-lo, atrav&#233;s de &lt;i&gt;plantations&lt;/i&gt; &#8211; como reza a cartilha concentradora da renda e da propriedade dos tecnocratas brasileiros (n&#227;o s&#243; tecnocratas, mas tamb&#233;m dos pol&#237;ticos e empres&#225;rios brasileiros, de racioc&#237;nio t&#227;o distorcido quanto aqueles). A&#237;, Ludwig merecia uma manchete.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Segunda chance.&lt;/strong&gt; As manchetes n&#227;o vieram. Agora, dois anos depois, surgem not&#237;cias t&#237;midas, perdidas no meio do notici&#225;rio quase di&#225;rio sobre o Pro&#225;lcool, dando conta de que o Projeto Veredas (o nome n&#227;o poderia ser mais sugestivo nem mais fiel), de Ludwig/Antunes, malogrou. As grandes planta&#231;&#245;es favoreceram o surgimento de pragas, uma honraria que s&#243; a tecnologia sofisticada seria capaz de prestar a algo de t&#227;o rude, primitivo, resistente e, por isso, desprezado, a mandioca nacional... Os custos de produ&#231;&#227;o, com incentivos e tudo, ficaram astron&#244;micos, tornando a mandioca antiecon&#244;mica para ser usada como mat&#233;r&#237;a-prima do &#225;lcool. Ludwig, Antunes e tudo que seu projeto representa v&#227;o para o belel&#233;u, e o que acontece? Nada. A not&#237;cia passa absolutamente ignorada, quando deveria ocupar manchetes. Por qu&#234;? Porque o Projeto Veredas (eta nome sugestivo!) &#233; outro exemplo-s&#237;ntese do fracasso, do desperd&#237;cio do modelo concentrador; uma demonstra&#231;&#227;o gritante das mentiras com que esse modelo tem sido defendido e implantado, perseguindo-se o pequeno produtor, seja na agricultura, na ind&#250;stria, no com&#233;rcio ou na presta&#231;&#227;o de servi&#231;os, com a desculpa de que s&#243; os grandes grupos proporcionam avan&#231;o tecnol&#243;gico, podem produzir racionalmente e em condi&#231;&#245;es competitivas. Como tal, isto &#233;, como exemplo-s&#237;ntese, o fracasso de Ludwig/Antunes deveria ser lembrado aos quatro ventos, como argumento em favor das mudan&#231;as do modelo. E isso era e &#233; essencial &#8211; porque, em mat&#233;ria de concentra&#231;&#227;o da renda e da propriedade, o pa&#237;s tem feito grandes avan&#231;os. Rumo &#224; distor&#231;&#227;o total, evidentemente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Desfa&#231;atez.&lt;/strong&gt; Na hist&#243;ria de um pa&#237;s h&#225; distor&#231;&#245;es que, por mais revoltantes, deixam apenas cicatrizes que podem ser removidas numa etapa seguinte.
Uma fase de achatamento salarial, por exemplo, pode at&#233; gerar, em seguida, uma fase de press&#245;es por maior participa&#231;&#227;o da for&#231;a de trabalho na renda nacional, corrigirido-se o desequil&#237;brio. Mas, na hist&#243;ria de um pa&#237;s, h&#225; distor&#231;&#245;es t&#227;o profundas, t&#227;o essenciais, que modelam todo o futuro, toda a sociedade, toda a vida econ&#244;mica e pol&#237;tica por vir. &#201; isso que as veredas concentradoras da renda fazem, est&#227;o fazendo, nas barbas de todos. Com elas n&#227;o h&#225; retorno poss&#237;vel.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&#192;s esc&#226;ncaras.&lt;/strong&gt; Ministros do atual governo e candidatos a postos-chaves no pr&#243;ximo saem por a&#237; dizendo que redistribuir a renda &#233; muito bonito, mas ningu&#233;m at&#233; hoje tem sugest&#245;es concretas de como faz&#234;-lo. A afirma&#231;&#227;o &#233;, por si, falsa e surge apenas como um sofisma para impedir que a opini&#227;o p&#250;blica raciocine, favorecendo o imobilismo. Deixa para l&#225;. O que importa, verdadeiramente, &#233; que o pa&#237;s precisa entender que a concentra&#231;&#227;o n&#227;o pode ser combatida apenas em tese, em trabalhos acad&#234;micos e, sim, a cada instante, a cada passo, sempre que surgir uma diretriz ou um programa oficial que favore&#231;a grandes grupos. Neste exato momento, ainda na &#225;rea agr&#237;cola, h&#225; tr&#234;s exemplos monstruosos de que a mentalidade concentradora est&#225; viva. Sobre o primeiro j&#225; se falou aqui. Trata-se do programa dos cerrados, no qual o governo brasileiro vai aplicar 1 bilh&#227;o de cruzeiros, doando 20 mil hectares a 40 fam&#237;lias (500 para cada uma), e mais 20 mil hectares a dois grandes grupos (novos Ludwigs e Antunes). Monstruosidade, quando se lembra que os recursos para aplica&#231;&#227;o no Nordeste, este ano, v&#227;o a apenas 7,2 bilh&#245;es de cruzeiros. O outro exemplo corresponde &#224; tentativa de utilizar a peste su&#237;na como pretexto para acabar com centenas de milhares de pequenos produtores. Exatamente da mesma forma que se fez com a carne bovina, permitindo-se apenas o funcionamento de grandes frigor&#237;ficos, e com o queijo, fechando-se as queijarias artesanais. &#201; o monop&#243;lio, a concentra&#231;&#227;o, como diretriz oficial, com a prote&#231;&#227;o e os incentivos oficiais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O despertar.&lt;/strong&gt; Sem censura, com a liberaliza&#231;&#227;o crescente, o sectarismo pode sair de cena, abandonando-se os chav&#245;es contestat&#243;rios e abrindo-se espa&#231;o para o racioc&#237;nio claro em torno da realidade. Do que &#233; essencial. A imprensa certamente vai descobrir que Ludwig, o plano dos cerrados, a peste su&#237;na, as queijarias e assim por diante merecem manchetes. N&#227;o pelos motivos aparentes. Mas pelo que &#233; essencial &#8211; e n&#227;o foi dito.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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